Circo de Gravataí passa por dificuldades por causa do Covid-19; veja como ajudar

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Andreo Fischer

Andreo Fischer

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Lonas baixadas. Todo o circo desmontado. A imagem dos circos Troy e Pantanal contrasta com o que se pode ver no Google Maps em junho de 2019, que é quando a casa de espetáculos exalava seus dias de glória. Hoje, nossa reportagem presenciou a entrega de donativos para José de Deus Feitosa, 69, um faz tudo debaixo da lona e fora dela. Mas antes de entrar no mérito, pudemos observar cinco jovens fazendo malabares na sinaleira da parada 63, que segundo José, os meninos sentam numa mesa e repartem o lucro entre si.

José de Deus e uma de suas galinhas/Andreo Fischer

José de Deus, assim como a maioria das outras 65 pessoas da trupe, são de Maringá, no Paraná. Os circos Troy e Pantanal percorrem boa parte do Brasil, mas foi em Parobé a derradeira apresentação antes do coronavírus. Depois, foram para Três Coroas e ficaram lá um mês parados. Então, vieram para Gravataí, onde o dono do terreno onde estão autorizou eles a ficar de graça, por enquanto.

A única dificuldade apontada por José é não poder trabalhar, pois em tempos de pandemia a prefeitura não autorizará a abertura do circo. São dez crianças com menos de dez anos. Para sustentar elas e o restante da trupe, o dono do circo, Vagner Farias, resolveu destinar duas cestas básicas para cada circense. Não foi o suficiente.

“O pessoal aqui de Gravataí é muito solidário” comenta José.

É que a solidariedade foi tanta, que chega aos trailers uma média de dez ranchos por dia. São cestas boas, tem produtos de higiene, limpeza, arroz, açúcar e até um agradinho para as crianças: bolacha recheada. Os artistas também recebem roupas.

As doações chegam diariamente/Andreo Fischer

São cerca de três meses parados na cidade. À vontade e a possibilidade de regressar à Maringá é algo positivo, mas José conta que seria uma viagem longa e sem necessidade, tendo em vista que o circo poderá ficar de graça no terreno que ocupam.

Em dias comuns, a entrada custa 15 reais. Mas com um cupom distribuído nas ruas, custa dez. O circo não vende pão, mas tem batata frita e cachorro-quente.

José de Deus diz que o local não usa animais em suas apresentações. Apenas possui animais de estimação. No circo Troy são dois cães e dois gatos, no circo Pantanal são seis cachorros.

“A prefeitura passou aqui, deu um contato para caso precisássemos de algo, mas nunca precisamos acionar ele” revela José.

O pessoal nunca recebeu dinheiro vivo e nem querem isso. Querem apenas poder trabalhar.

Para ajudar

O circo está localizado na Avenida Dorival, na parada 63. As famílias necessitam de mantimentos e produtos de higiene e limpeza. Os donativos podem ser entregues diretamente ao José de Deus.

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