De pai para filho, salão de cabeleireiro completa 70 anos

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Andreo Fischer

Quem entra no salão de Moisés Lourenço de Souza, logo dá de cara com uma decoração vintage: tesouras penduradas na parede e quadros alusivos a marcas famosas, como uma Kombi carinhosamente chamada de “corujinha”. Entre uma tesourada e outra, Moisés comenta que seu pai tocou o salão por 50 anos, enquanto que ele “seguiu carreira” no endereço que fica na parada 72 da Dorival.

Além de barbeiro e cabeleireiro, Moisés é DJ nas horas vagas e tem uma empresa que fornece infraestrutura e sonorização para eventos e shows.

O cantor sertanejo Junnyor Linck conta em seus shows com a sonorização do DJ Moisés. Ao lado do cabeleireiro, sua esposa Cristina – Foto: Andreo Fischer

Durante a reportagem do Provável Notícias, dois clientes especiais apareceram: uma criança que tinha medo da tesoura e uma senhora que foi aparar seus curtos cabelos por recomendação do netinho. A criança chorava, mas Moisés acalmou ela com todo o seu profissionalismo de mais de 20 anos de estrada e no fim a criança saiu sorridente com o novo visual. Já a senhorinha aparou somente as pontas e disse que voltaria outras vezes ao salão. A trilha sonora do lugar era embalada por clássicos disco dos anos 80, através de um televisor ligado no YouTube.

A senhora de cabelos curtos que foi cortar com o cabeleireiro – foto: Andreo Fischer

Quem tem sede bebe cerveja: Moisés vende latões de Amstel no salão, mas garante:

– Não tenho lucro com isso, apenas a cerveja é uma conveniência para os clientes – ressalta

Mas, para quem prefere, o salão conta com garrafinhas de água, café e wi-fi.

Confira alguns trechos da conversa que tivemos com o cabeleireiro:

Num ramo tão concorrido, conte como tudo começou

Eu comecei em 1999. Fiz um curso básico de cabeleireiro, mas na época não tinha as facilidades de hoje com YouTube ensinando tudo e mais um pouco. Mas eu aprendi o básico pelo menos. Abri um salão na rua Jorge da Costa, aqui na 72 mesmo e fiquei quase um ano. Em 2001 meu pai faleceu e eu resolvi assumir o lugar dele em dezembro daquele ano. O curso que eu fiz só ensinava o básico mesmo, logo tive que conhecer novas técnicas e só então peguei experiência, fui fazendo clientela… Demorei mais de ano para eu começar a viver do salão. Mas pensei em desistir também.

Que idade tu tinha na época que teu pai montou o salão?

Eu era recém-nascido, enquanto meu pai era conhecido por Pedro Barbeiro.

Pedro Barbeiro cortando cabelo de cliente, que na época, era comum os meninos usarem cabelo grande e franja. Foto: Andreo Fischer

O que tu fazia antes de ser cabeleireiro?

Em 99 eu trabalhei na Concepa, mas trabalhei também com vendas de produtos naturais, fui sapateiro aos 16 anos, atuei numa imobiliária… Cheguei até fazer um teste na Sogil para trabalhar como cobrador, mas graças a Deus eu reprovei, senão eu não tinha montado esse meu mini-império (o salão) – afirma com um leve sorriso. A partir do dia que comecei a trabalhar como cabeleireiro, fui fazendo então o meu nome, minha vida profissional foi deslanchando e a cada dia eu colocava um tijolinho no meu castelo.

Com tantos anos de estrada, o que te diferencia dos concorrentes?

Eu tenho alegria de trabalhar, tenho simpatia e respeito ao próximo. Também ajudo muita gente desde que comecei como atender pessoas doentes em casa, isso sem pretensão nenhuma.

Pra saber: O salão de Moisés fica na rua Jerônimo Timóteo da Fonseca, 26, atrás do Rei do Xis, na parada 72.

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